
Resumindo esta semana dedicada ao ouro negro, uma figura vem a minha mente: meu avô.
Tudo o que foi escrito nos outros posts tem muito, ou pelo menos um pouco, a ver com a vida do Seo Vicente Nicastro.
Filho de imigrantes italianos, meu avô foi o caçula de uma família siciliana recrutada para trabalhar nas fazendas produtoras de café no Brasil.
A primeira parada foi quase no Sul de Minas, em Mococa, o lugar de nascimento do pequeno Vicentinho.
De fazenda em fazenda, meu bisavô - que nunca conheci mas, mesmo assim, sei exatamente como era - cruzou o Sul de Minas, passando por Regente Feijó até chegar nas colônias do Norte do Paraná.
Ali, mais uma vez lavrando o café, meu avô conheceu minha avó, filha de imigrantes espanhóis que vieram pro Brasil pelo menos motivo.
E, entre um cafezinho e outro, minha família foi se formando.
Chegou o ano de 1975. A geada destruiu muito do café que existia na região. A solução foi comprar um caminhão pra continuar a tocar a vida.
Mas não era tão simples assim se livrar do café. Mesmo com a geada e todos os problemas causados por ela, o café não secou na minha árvore genealógica. Por ironia, o destino das idas e vindas desse caminhão era o porto de Santos. Para transportar o que? Nada mais nada menos que café.
Por muitos anos, o FNM - caminhão muito comum nessa época - rodou pela estrada de Santos. Aí, quando a idade pesou, ele resolveu parar. E meu avô também.
Só parou de trabalhar, porque o café não perdeu o lugar de destaque na vida do Seo Vicente.
Hoje, ele é responsável pela compra de café na feira domenical pra todas suas filhas. Ele que conhece os bons vendedores e nos cafés da tarde - costume frequente da nossa família - só ele põe a mão na hora de passar o cafezinho.
Bom, não sei se esse exemplo é válido, mas, mesmo sabendo que tudo isso aconteceu com o meu avô são consequências cotidianas do valor econômico da cafeicultura, para mim, ele é o fruto mais valioso da saga do café.