Depois de uma parada em
Florianópolis, seguimos o
roteiro gastronômico para Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, onde o desafio era descansar em meio aos vinhedos e experimentar a famosa cozinha serrana.
Pensando nisso, resolvi instalar todos numa pousada a 13 quilômetros do centro de Bento. Ali, no topo de uma montanha, fica uma casa construída em 1930, onde fica a Pousada e Vinícola Don Giovanni.

Cercada por vinhedos, a pousada é um ótimo lugar para relaxar, seja no inverno ou no verão. Como fomos no verão, eu e meu irmão saíamos para caminhar ao redor da propriedade e a sensação é bastante como visitar as colônias de imigrantes dos idos de 1900. Principalmente, pelas casarões antigos ainda habitadas e mantidos num capricho exemplar: jardins bem cuidados, paredes bem pintadas e chão varrido. Isso tudo no meio

do sítio.
Nessas caminhadas, descobrimos pomares inteiros de árvores carregadas de frutas. Em janeiro, as ameixeiras estavam carregadas. E as macieiras quase prontas pra colher. Cansados e com sede, nada melhor que comer frutas frescas diretamente do pé.
Agora, fora da Pousada, a história é outra. Bento é uma cidade ótima para viagens gastronômicas. Aparentemente calma, com muitas opções de restaurantes e diversas atrações fora do perímetro urbano, a cidade oferece boa comida e também passeios para se contemplar a paisagem e os vestígios da cultura dos imigrantes que passaram por ali.
O problema é o apelo ensandecido por turistas.
O pessoal de lá percebeu que as casas construídas em pedras e a mistura de culturas é um bom atrativo. Então, o exagero é completo. Tudo é italiano (casas, técnicas de produção, nomes), tudo é natural (sucos de uva, queijos), tudo é vencedor de prêmios, etc.. etc...
Por exemplo, a maior roubada que existe é um lugar chamado Casa da Ovelha, onde vendem produtos a base de leite de ovelha. Os preços dos queijos são MAIORES do que no supermercado normal. Encontramos o mesmo queijo por R$11,00 no mercado. Sendo que nessa loja da fábrica eles vendiam por R$14,00. É achar que o povo é tonto, não?
Como já falei demais, aqui vão três dicas que realmente valem a pena.

Fugindo do roteiro do Vale dos Vinhedos, onde ficam as grandes vinícolas do país, o legal também é visitar os Caminhos de Pedra. Ali, fica a vinícola Strapazzon. O vinho é colonial, bem caipira, do jeito que meu pai gosta. E os salames e copas são ótimos. E, apesar de a Strapazzon ter sido locação no filme Quatrilho, os funcionários do local não são desesperados e nem tentam enganar o turísta com um monte de baboseira.
Nona Ludia. Restaurante italiano típico, seve polenta, galeto e massas a vontade. O preço é bem menor que os do centro (algo como R$20,00 por pessoa) e você ainda tem o prazer de comer numa casa de pedra e de conhecer uma árvore centenária de umbu onde os imigrantes se abrigaram enquanto construiam a casa.

E a vencedora Churrascaria Ipiranga. Ali sim dá pra se conhecer um pouco do que realmente é Bento Gonçalves. Churrasco da melhor qualidade - com destaque para o "Vazio" (fradinha) e o pernil de carneiro, suculento e que derretia na boca - e as mesmas comidas tipicamente italianas servidas nos outros restaurantes da cidade. Sem churumelas, a Ipiranga sim é representante da autêntica cozinha da Serra Gaúcha.
Serviço:
Pousada Don GiovanniQuartos duplos por R$150,00 a diária
Nona Ludia e Cantina Strapazzon
Ambas ficam no Caminhos de Pedra, no distrito de Santo Antoninho
Almoço Nona Ludia: R$20,00 por pessoa
Salame e Copa Strapazzon: entre R$10,00 a R$14,00 a peça.